clarice lispector

Revelación de un mundo

A descoberta do mundo

 

Selección de textos, presentación,

revisión y notas de Amalia Sato

 

Adriana Hidalgo editora S.A.

octubre de 2005

Buenos Aires

 

 

drogas

 

 

No me drogo. Quiero estar alerta, y por mí. Me invitaron a una fiesta

donde con seguridad tomaban ácido y fumaban marihuana. Pero mi

actitud alerta me es más preciosa. No fui a la fiesta: dijeron que yo no

conocía a nadie, pero que todos querían conocerme. Peor para mí. No soy

de dominio público. Y no quiero que me miren. Me iba a quedar callada.

Maria Betânia me telefoneó, me quería conocer. ¿La conozco o no? Dicen

que es delicada. Voy a pensarlo. Dicen que habla mucho de sí misma.

¿Hago lo mismo? No me gusta. Quiero ser anónima e íntima. Quiero hablar

sin hablar, de ser posible. Maria Betânia me conoce de los libros. Jornal do

Brasil me está volviendo popular. Me regalan rosas. Un día paro. Para

volver de vuelta. ¿Por qué escribo así? Pero no soy peligrosa. Y tengo

amigos y amigas. Además de mis hermanas, a quienes me acerco cada vez

más. Estoy muy próxima, de un modo general. Y es bueno y no. Siento que

falta silencio. Yo era silenciosa. Y ahora me comunico, incluso sin hablar.

Pero falta una cosa. Y voy a tenerla. Es una especie de libertad, sin pedirle

permiso a nadie.

 

 

 

bolinhas

 

Não tomo bolinhas. Quero estar alerta, e por mim mesma. Fui convidada para uma festa

onde na certa tomavam bolinha e fumavam maconha. Mas minha alerteza me é mais preciosa.

Não fui à festa: disseram que eu não conhecia ninguém, mas que todos queriam me conhecer. Pior

para mim. Não sou domínio público. E não quero ser olhada. Eu ia ficar calada. Maria Betânia me

telefonou, querendo me conhecer. Conheço ou não? Dizem que é delicada. Vou resolver. Dizem

que fala muito de como é. Estou fazendo isso? Não quero. Quero ser anônima e íntima. Quero

falar sem falar, se é possível. Maria Betânia me conhece dos livros. O Jornal do Brasil me está

tornando popular. Ganho rosas. Um dia paro. Para me tornar tornada. Por que escrevo assim? Mas

não sou perigosa. E tenho amigos e amigas. Sem falar de minhas irmãs, das quais me aproximo

cada vez mais. Estou muito próxima, de um modo geral. É bom e não é bom. É que sinto falta de

um silêncio. Eu era silenciosa. E agora me comunico, mesmo sem falar. Mas falta uma coisa. Eu

vou tê-la. É uma espécie de liberdade, sem pedir licença a ninguém.