clarice lispector

 

 

revelación de un mundo

a descoberta do mundo

 

 

 

 

traducción: Amalia Sato

Adriana Hidalgo editora

octubre de 2005

Buenos Aires

 

 

 

 

 

hilos de seda

 

 

 

Casi no leí a Henry James, que parece que es maravilloso, según un amigo mío.

Él, Henry James, es hermético y claro.

¿Si cito a James me estaré volviendo hermética para mis lectores? Lo lamento mucho.

Tengo que decir las cosas, y las cosas no son fáciles. Lean y relean la cita. Aquí está,

traducida por mí del inglés:

“¿Qué tipo de experiencia es necesaria, y dónde comienza y dónde termina? La experiencia

nunca es limitada y nunca es completa; es una inmensa sensibilidad, una especie de enorme

tela de araña, hecha con los hilos de seda más delicados suspendidos en la cámara del inconsciente,

que atrapa en su tejido cada partícula traída por el aire. Es la propia atmósfera de la mente;

y cuando la mente es imaginativa —mucho más cuando se trata de un hombre de genio— ella

atrapa para sí las más leves sugerencias, ampara los pulsos mismos del aire en revelaciones.”

 

Sin ser ni lejanamente de un genio, cuántas revelaciones. Cuántos pulsos atrapados en el fino aire.

Los delicados hilos suspendidos en la cámara de lo consciente.

Y en el inconsciente la propia enorme araña. Ah, la vida es maravillosa con sus telas captoras.

Avísenme si empiezo a convertirme en demasiado yo misma. Es mi tendencia. Pero soy también

objetiva. Tanto que logro volver lo subjetivo de los hilos de la araña en palabras objetivas. Cualquier

palabra, por otra parte, es objeto, es objetiva.

Además, tengan la seguridad, no es necesario ser inteligente: la araña no lo es, y las palabras,

las palabras no se pueden evitar.

¿Me entienden? No es necesario.

Solamente recíbanme, tal como yo me entrego.

Recíbanme con hilos de seda.

 

 

 

 

fios de seda

 

 

 

Quase não li Henry James, que parece que é maravilhoso, segundo um amigo meu.

Ele, Henry James, é hermético e claro. Citando James estarei me tornando hermética

para os meus leitores?

Lamento muito. Eu tenho que dizer as coisas, e as coisas não são fáceis. Leiam e releiam

a citação. Aí está ela, traduzida por mim do inglês:

“Que espécie de experiência é necessária, e onde ela começa e acaba? A experiência

nunca é limitada e nunca é completa; é uma imensa sensibilidade, uma enorme teia de

aranha, feita dos fios mais delicados de seda suspensos na câmara do consciente, e que

apanha no seu tecido cada partícula trazida pelo ar. É a própria atmosfera da mente; e

quando a mente é imaginativa – muito mais quando se trata da de um homem de gênio –

ela apanha para si as mais leves sugestões, abriga os próprios pulsos do ar em revelações.”

Sem nem de longe ser de gênio, quantas revelações.

Quantos pulsos apanhados no fino ar.

Os delicados fios suspensos na câmara do consciente. E no inconsciente a própria enorme

aranha.

Ah, a vida é maravilhosa com suas teias captantes. Avisem-me se eu começar a me tornar

eu mesma demais. É minha tendência.

Mas sou objetiva também. Tanto que consigo tornar o subjetivo dos fios de aranha em

palavras objetivas.

Qualquer palavra, aliás, é objeto, é objetiva. Além do mais, fiquem certos, não é preciso ser

inteligente: a aranha não é, e as palavras, as palavras não se podem evitar.

Vocês estão entendendo? Nem precisam.

Recebam apenas, como eu estou dando.

Recebam-me com fios de seda.