clarice lispector

 

revelación de un mundo

a descoberta do mundo

 

 

traducción: Amalia Sato

Adriana Hidalgo editora

octubre de 2005

Buenos Aires

 

 

 

la noche más peligrosa

 

 

 

Lo juro, créeme —la sala de visitas estaba oscura —pero la música me llamó

hacia el centro de la sala —una cosa despierta estaba allí —la sala se oscureció

toda dentro de la oscuridad —yo estaba en tinieblas —sentí que por más oscura

que estuviera la sala era clara —me resguardé en el miedo—como ya me

resguardé de ti en ti mismo —¿qué encontré? —nada salvo que la sala oscura

se llenaba con una claridad que no iluminaba —y que yo temblaba en el centro

de esa difícil luz —cree en mí aunque sea difícil de explicar —soy algo perfecto

y gracioso —como si nunca hubiera visto una flor —y con miedo pensé que aquella

flor era el alma de quien acababa de morir —y yo miraba aquel centro iluminado

que se movía y se desplazaba —y la flor me impresionaba como si hubiera una

abeja peligrosa rondando la flor —una abeja helada de pavor —delante de la

irrespirable gracia de ese flamear que era la flor —y la flor después quedaba

helada de pavor delante de la abeja que lo que chupaba en lo oscuro era mucho

dulce de las flores —cree en mí que no entiendo —un rito fatal se cumplía

—la sala estaba llena de una sonrisa penetrante —se trataba tan sólo de un

blanquearse de las tinieblas —no quedó ninguna prueba —nada te puedo

garantizar —yo soy la única prueba de mí —y así te explico lo que los otros

no entienden y me pone en el hospital —no entiendo que se pueda tener

miedo de una rosa —probaron con violetas que eran más delicadas —pero

tuve miedo —había olor a flor de cementerio —y las flores y las abejas ya

me llaman —no sé cómo no ir —en verdad quiero ir —no lamentes mi muerte

—ya sé lo que voy a hacer y aquí mismo en el hospital —no será suicidio,

mi amor, amo demasiado la vida y por eso nunca me suicidaría, voy pero por

ser la claridad móvil, por sentir el gusto de la miel si soy designada para ser abeja.

 

 

 

 

 

a noite mais perigosa

 

 

 

 

Juro, acredite em mim – a sala de visitas estava escura –

mas a música chamou para o centro da sala – uma coisa estava acordada ali – a sala

se escureceu toda dentro da escuridão – eu estava nas trevas – senti que por mais

escura a sala era clara – agasalhei-me no medo – como já agasalhei de ti em ti mesmo

– que foi que encontrei? – nada senão que a sala escura enchia-se de uma claridade

que não iluminava – e que eu tremia no centro dessa difícil luz – acredita em mim embora

seja difícil explicar – sou alguma coisa perfeita e graciosa – como se eu nunca vira

uma flor – e com medo pensei que aquela flor é a alma de quem acabara de morrer

– e eu olhava aquele centro iluminado que se movia e se deslocava- e a flor me impressionava

como se houvesse uma abelha perigosa rondando a flor – uma abelha gelada de pavor –

diante da irrespirável graça desse bruxuleio que era a flor – e a flor ficava depois gelada de

pavor diante da abelha que era muito doce das flores que ela no escuro chupava – acredita

em mim que não entendo – um rito fatal se cumpria – a sala estava cheia de um sorriso

penetrante – tratava-se apenas de um esbranquiçar das trevas – não ficou nenhuma prova

– nada te posso garantir – eu sou a única prova de mim – e assim te explico o que os outros

não entendem e me põe no hospital – não entendo que se possa ter medo de uma rosa –

experimentaram com violetas que eram mais delicadas – mas tive medo – tinha cheiro de flor de

cemitério – e as flores e as abelhas já me chamam – não sei como não ir – na verdade eu quero ir –

não lamente a minha morte – já sei o que vou fazer e aqui mesmo no hospital – não será suicídio,

meu amor, amo demais a vida e por isso nunca me suicidaria, vou mas é ser a claridade móvel,

sentir o gosto de mel se eu for designada para ser abelha.

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

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